Patrícia Santos Aguiar ¹
LÓPEZ, Felix. Problemas afetivos e de conduta na sala de aula. COOL, C. PALÁCIOS, J.MARCHESI, A. (org.) Desenvolvimento Psicológico e Educação: Transtornos de desevolvimento e necessidades especiais. Vol 3, 2ª ed. Porto Alegre: Artemed, 2004.
Em seu texto “Problemas afetivos e de conduta na sala de aula”, Félix López inicia afirmando que até há pouco tempo a escola se preocupava apenas com a aprendizagem formal, sem se interessar com crianças com dificuldades de aprendizagem ou educação especial porque acreditava que a sua função afinal era ensinar e avaliar os alunos. O que mudou então? Hoje a escola tem uma função social de formar cidadão críticos, sociais, reflexivos, autônomos, conscientes de seus direitos e deveres, capaz de compreender o mundo onde vivem e de interferir quando necessário para sua melhoria e a preparados para participar da vida econômica, social e política do país.
Dessa forma, Ocorreram mudanças sociais e educativas desenvolvendo assim uma mudança de pensamento. A sociedade passou a se preocupar com a educação inclusiva, dificuldades de aprendizagem específicas e a escola regular passou a se ocupar disso. De quem é a escola? A escola é para todos. O direito à educação é um direito fundamental e não pode ser retirado de nenhuma pessoa, inclusive, daquelas que apresentam qualquer tipo de limitação.
Assim, o autor mostra três causas que levaram a escola a focar nos problemas sociais, emocionais e de conduta dos alunos. Primeiro, um número significativo de alunos com dificuldades de aprendizagem tem também dificuldades emocionais, sociais e de conduta. Segundo, pesquisas questionam o valor explicativo do QI (Quoeficiente de Inteligência) na vida real. A nova visão de inteligências múltipla derruba o pensamento de medida de inteligência. E terceiro, o objetivo básico da escola é incentivar o rendimento escolar e real, o desenvolvimento emocional e social da criança.
Segundo ele, o pedido de ajuda não vem das crianças e adolescentes e sim de seus pais e professores; quando existe o problema depende de como os pais e professores encaram essas dificuldades e dependem mais das características destes que das crianças; as avaliações feitas pelos pais e professores muitas vezes entram em desacordo; muitos desses problemas acontecem em mais de 10% das crianças e adolescentes; os meninos são vistos como mais problemáticos que as meninas; os sintomas mudam muito em crianças. O que pode se um problema numa idade e ser totalmente normal em outra.
López faz uma classificação dos problemas em sala de aula. Os emocionais se choro, retraimento emocional, dificuldades de estabelecer relações com outros, depressão, dificuldade de concentração, entre outros. O autor afirma que os problemas emocionais se manifestam muitas vezes com sintomas específicos, como tiques, enurese, ecoprese, terrores noturnos. Os problemas de conduta se revelam com agressão, mentira, roubo, vandalismo. O autor afirma ainda que o segundo problema é o que causa mais preocupação aos professores porque dificulta a convivência escolar. Para Lópes, “a escola não deve preocupar-se apenas com a ordem, a disciplina e o rendimento, mas também como se assinalou anteriormente, com o bem-estar social e emocional”.
As dificuldades de aprendizagem e os problemas emocionais e de conduta também é um tema exposto por Lópes. O autor descreve a situação em quatro pontos. No primeiro ponto, o autor propõe que há uma maior probabilidade de os alunos com dificuldade de aprendizagem apresentarem problemas de caráter emocional, problemas de conduta e também na interação social. No segundo ponto, o autor discorre sobre os problemas de aprendizagem a longo prazo, e seus efeitos na vida adulta desses indivíduos. Já o terceiro ponto, aborda as varias faces do problema, tendo em vista que os indivíduos com dificuldades de aprendizagem apresentam o problema em diferentes escalas de intensidade e que não seguem um padrão específico de personalidade. Por fim, o autor afirma que há uma clara relação entre as dificuldades de aprendizagem, o baixo rendimento acadêmico e problemas emocionais, deficiências em habilidades sociais e problemas de conduta.
Na alusão de vários outros autores Lópes apresenta algumas possibilidades. São elas: “As dificuldades de aprendizagem causam déficit em habilidades sociais, problema de conduta e problemas emocionais”. “Hipótese reversa”, que afirma que “o déficit nas habilidades sociais, os problemas de conduta e os problemas emocionais causam dificuldade de aprendizagem”. “As duas hipóteses anteriores podem ser corretas simultaneamente”, mas é uma relação que precisa ser evitada. “Entre estas variáveis há uma correlação, mas não uma relação de causa e efeito”. Este é visto como uma descrição de fatos e não com uma hipótese. “Há um ou fatores distintos que são a causa comum de todos esses efeitos”. Essa hipótese foi defendida por aqueles que acreditam que essas dificuldades estão associadas a alterações em um dos lados do cérebro, mas sem efeito. “A relação entre essas variáveis é muito complexa e tais correlações são apenas uma aproximação grosseira do problema”. As dificuldades de aprendizagem e as outras dificuldades podem ser subdivididas em subgrupos. Concluindo, o autor afirma existir fatores sociais ou neuropsicológicos que explicam a associação entre alguns tipos de problemas de aprendizagem e problemas emocionais, mas são na realidade dois acontecimentos que se potencializam.
Em sua pesquisa sobre os maus-tratos infantis o escritor explica que em geral essas crianças com dificuldades de aprendizagem ou problemas de comportamento e todas as dificuldades descritas acima, tendem a sofre mais de maus tratos. E esses maus-tratos são mais um dos fatores que levam a essas dificuldades.
Com relação a pesquisa sobre a privação emocional Lópes afirma que crianças que tiveram privação emocional tendem a ter problemas de aprendizagem, social, escolar e de conduta. Segundo ele “a privação emocional grave tem efeitos tão generalizados e destrutivos que, se for mantido por longo tempo pode explicar não só o fracasso escolar, mas também o fracasso vital generalizado em todos os aspectos da vida”.
Neste texto, Lópes explica também sobre as condutas agressivas em sala de aula. Com certeza esta é uma das situações que mais preocupam os pais, professores e a sociedade. Quão freqüente não são as notícias de professores agredidos e até mortos por alunos! O autor explica os tipos de agressividade existentes física e verbal (entre alunos, alunos e professores, filhos e pais) e afirma que conflitos devem existir mas nunca com o uso da agressividade para resolvê-los. O escritor explica ainda a violência gratuita e afirma que as conseqüências podem ser resumidas em três: a vítima da violência geralmente sua autoestima afetada; o agressor pode obter reforços perversos com popularidade, sensação de poder; e os observadores que não intervém contribui para que a violência continue.
Quando falava sobre a proposta de atuação, o escritor mostra que a estratégia mais adequada a preventiva. Deve-se priorizar o bem estar e a saúde em detrimento do rendimento escolar. Ele apresenta ainda quatro dimensões principais nas quais devemos atentar: A personalidade ( autoestima, autoeficácia, lugar de controle), cognitivos ( visão positiva, juízo moral, valores, planejamento de metas realistas), afetivos (empatia, amizade, rede social, relaxamento, autocontrole emocional), de conduta ( habilidades sociais, interpessoais, conduta pró-social, controle de agressividade).
Lópes segue explicando que os alunos devem descobrir a necessidade de compartilhar valores e normas para que aprendam a relativizar os valores sociais referentes ao rendimento escolar e outros aspectos das relações sociais, ou seja, não hipervalorizar o peso do sucesso escolar. Ele afirma ainda que os programas preventivos não evitam manifestações de problemas de conduta em sala de aula. O que deve ser feito é valer-se de sistemas de disciplina indutiva dando destaque a cinco aspectos: a origem consensual ou, pelo menos, refletida das normas; a explicação das normas em termos que convençam os que as aplicam e os que têm que obedecê-las; a possibilidade de que as normas sejam discutidas por aqueles que têm que obedecê-los; a aceitação de que as normas podem mudar se houver boas razões para isso e o compromisso de que no final os pais e os educadores têm o dever de proteger e educar as crianças.
Este é um bom texto, de fácil compreensão e bastante detalhado, facilitando o entendimento das dificuldades de aprendizagem, colaborando em nosso trabalho de educadores. A maior dificuldade neste texto é a falta de referência sobre o autor. Como é um artigo dentro de um livro e como não tivemos o livro como base para resenhar, não foi fácil encontrar informações sobre Lópes.


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