domingo, 21 de maio de 2017

Pedagogia

" O importante é ressaltar que para conhecer como o outro experiementa a vida, faz-se necessário o exercício sensivelmente difícil de sairmos de nós mesmos. Há que nos desdobrar-nos, revirar-mos, suspendermos preconceitos, criticarmo-nos, abrirmo-nos a certa violação de habitus sagrados na sociedade do eu. Experiência intestina e sensivelmente relacional da intercriticidade."

Minhas reflexões sobre ser Pedagoga

Reflexões da vida de uma futura pedagoga


A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria /
Prática sem a qual a teoria pode ir virando blablablá e a prática, ativismo.
(Freire, 1996, p.12)



Falar sobre a minha formação docente no curso de pedagogia é olhar pra trás e observar um passado de luta e desejo em ser professora. Desde criança (assim conta meus pais), eu sempre quis ser professora. Aos 4 anos brincava de “escolinha” nos fundos de minha casa com meus amigos, já que nenhum de nós ia à escola(só freqüentei a escola aos 8 anos de idade). E nessas brincadeiras eu era sempre a professora, mesmo sem saber direito como era uma.

O meu ensino fundamental I foi numa escola particular, que meus pais com muito sacrifício me colocaram. Estudei com uma professora famosa por ser rigorosa e inflexível em suas concepções. Não se precisa dizer que ela era totalmente tradicionalista. Batia em seus alunos, gritava muito, e tinha uma régua que dava medo a qualquer um. Resultado: Eu tinha tanto medo dela que vivia quietinha em meu canto, sem falar ou fazer nada. Até hoje trago seqüelas deste tipo de ensino: Não leio bem para outras pessoas e morro de medo de falar em público.

Contudo, quando iniciei o antigo colegial, comecei a dar valor àquela professora, ou pelo menos a tudo que ela havia me ensinado. A maioria dos meus colegas da 5º série não sabia ler direito nem a fazer as quatro operações, que para mim era moleza. Então comecei a dar aulas de reforço aos colegas e quando estava cursando o magistério montei uma escolinha que não durou muito, pois sou uma péssima administradora e ninguém me pagava direito pelo trabalho. Fui à falência e voltei a dar aulas de reforço.

Ao me lembrar do meu curso de magistério (de 4 anos), só me lembro que demorou muito a passar. Parecia uma eternidade! Odiava as professoras de português que eu tinha, elas eram relapsas e desinteressadas, mas tive uma ótima professora de Educação Infantil e Alfabetização, Cássia Brandão. Essas foram as melhores disciplinas que tive no magistério. Com ela aprendi tudo o que usei nos anos em que trabalhei como professora, antes da universidade. E por incrível que pareça, em terminei trabalhando na Educação Infantil e hoje sou uma alfabetizadora.

Passei muito tempo de minha vida sem interesse em cursar a faculdade. Ninguém da minha família havia entrado em uma universidade, então, pra mim era uma realidade distante. Mas em 2003 fiz algumas amizades que me incentivaram e eu entrei num cursinho pré-vestibular da prefeitura de Jequié, mas como não consegui o dinheiro para o vestibular acabei desistindo.

Um ano depois um amigo pediu que eu o ajudasse a estudar para o vestibular, eu aceitei e na época da inscrição do vestibular, para minha surpresa, ele resolveu pagar também a minha inscrição. Resultado eu passei e ele não. Eu não dava muita importância em cursar uma universidade, mas quando vi o brilho de orgulho nos olhos de meu pai, tive um incentivo maior em estudar e hoje que já não o tenho comigo, sinto por não ter dado a ele a alegria de me ver formada. Continuando, por incrível que pareça no dia que eu iria iniciar o curso consegui um emprego como professora da educação infantil numa escola particular próxima à UESB.

Na época eu decidi cursar pedagogia por causa da concorrência, que era baixa, mas no decorrer do curso percebi que era isto mesmo que eu queria. Este curso me apresentou à teóricos que me auxiliaram tremendamente em meu novo emprego e posteriormente em meu estágio. São exemplo, Emília ferreiro e Ana Teberowsky que evidenciaram fatores importantes do desenvolvimento cognitivo e do processo de aprendizagem da língua escrita.com o qual eu me identifiquei e me apoiei várias vezes quando tinha dificuldades em entender o desenvolvimento cognitivo de meus alunos.

Um outro é Paulo Freire que me mostrou que ser professor é perpassa o ato simples de ensinar. Ele me mostrou que um educador é um formador de cidadão consciente mesmo que este seja apenas uma criança. Me deu a visão de que aquele que ensina aprende . Que a dialética da relação professor – aluno, interativa e recíproca, garante que a docência não seja mero derramamento de conteúdos em alunos vazios e dóceis.

O período de estágio, é muito importante, contudo, deveria ser uma experiência onde o estudante de pedagogia tivesse contato com a sala de aula pelo menos desde a 4º semestre ou antes, pois para maioria dos meus colegas que ainda não estavam trabalhando na área foi um choque (no estágio de educação infantil) entrar em sala assim de uma vez, sem outras experiências

Isto me fez lembrar da frase de Carl Rogers " Os educadores precisam compreender que ajudar as pessoas a se tornarem pessoas é muito mais importante do que ajudá-las a tornarem-se matemáticas, poliglotas ou coisa que o valha.". Disponível em: http://www.projetospedagogicosdinamicos.kit.net/index_arquivos/Page756.htm. acesso em: 18/06/08. Como educadores precisamos pensar em nossos alunos como pessoa, que necessita não só dos conteúdos estudados, precisam de nosso apoio, carinho e atenção. É assim que eu encararei o meu período de estágio, como uma oportunidade de fazer diferença na vida daquelas crianças.

A pesquisa como eixo de formação docente de Maria Tereza Estebari e Edwirges Zaccur

Neste texto surge vários questionamentos e inquietações. A professora do ensino básico deve também ser pesquisadora? Já que nem os professores universitários assumem, ou pelos menos não dão conta, esse papel e seus esforços pouco sustentam efeitos ou avanços na educação? Estebari e Zaccur (2002, p.12), afirmam que “a escola continua excludente, produzindo analfabetos, alfabetos funcionais e iletrados”.

Ainda vemos a professora da escola básica como consumidora passiva do conhecimento criado por pesquisas acadêmicas, mas será que não cabe a ela que está na prática, percebendo as dificuldades de seus alunos, também o papel de pesquisadora? Estebari e Accur (2002, p.14), ainda coloca que

Quem vive o cotidiano da escola não se reconhece no texto teórico, sentindo-se negado; quem teoriza precisa estar atento para não se abstrair da realidade da escola, exorcizando o que possa tumultuar a racionalidade do construto teórico elaborado.

Quem melhor para assumir ,ou pelo menos, colaborar para a evolução do planejamento dos antigos tecnicista do que a antiga “tia” que agora toma sobre si a função de educadora? Pois sua pesquisa pode ser gerada de inquietações e questionamentos originados da prática. Mas como romper com esta dicotomia entre teoria e prática? Em relação a isso Estebari e Zaccur (2002, p.23) esclarecem que

a qualificação do/a professor/a enquanto pesquisador/a se insere no processo de redimensionamento da relação pedagógica. A tradicional dicotomia entre o fazer e o pensar é substituída pela percepção da complexidade do processo pedagógico.


Assim o professor passa a exercer o papel de pesquisador, assume a posição de pensar, refletir a teoria na prática e a prática na teoria.

Experiência do estágio

Reflexão do meu período de observação
Em meu período de observação no Caic na turma do 2° ano percebi muitas das dificuldades que as professoras passam no seu dia-a-dia. Percebi como é fácil para nós estudantes de pedagogia falar de teóricos, de suas teorias e de como é fácil criticar as professoras que estão em sala de aula. Mas na quando estamos em seus lugares, quando temos que construir um trabalho com as crianças, nem que seja um dia, como foi no caso do diagnóstico, percebemos as dificuldades enfrentadas por elas.
Lá, no Caic, encontramos crianças com todos os tipos de problemas, dificuldades, traumas e deficiências. Então entendi que deveríamos dar muito mais valor a estas guerreiras que enfrentam essas dificuldades todos os dias.
Precisamos então, entrar em suas salas de coração aberto. Utilizando sim de teorias, mas contando com os ensinamentos dessas professoras que têm muita experiência e ensinamentos para nos passar

Por que o estágio para quem já exerce o magistério: uma proposta de formação contínua.

A temática central deste texto é a questão: “Por que preciso fazer o estágio supervisionado se há tanto tempo sou professor?” (p.125) e Pimenta e Lima a responde apontando o estágio como sugestão de formação contínua e visto como possibilidade de ressignificação, podendo ser visto como ocasião de reflexão, ponderação da prática a partir das teorias estudadas durante o curso de pedagogia produzindo assim, novos conhecimentos.

As escritoras acrescentam que tradicionalmente o estágio era visto “de modo burocrático, sem ligação com as disciplinas do curso, resumindo-se, uma observação ou entrevista que em geral não é preparada” (PIMENTA E LIMA, 2004, p.126).

Quando fala em formação continuada, as autoras, dão o conceito de docência que “se refere não apenas ao domínio dos conteúdos nas diversas áreas do saber e o ensino, mas também à própria prática didático-pedagógica e, acima de tudo, à compreensão da política educacional na qual essa prática se insere” (PIMENTA E LIMA, 2004, p.130).

Elas encerram o texto falando da necessidade da coragem do docente de colocar na prática a teoria aprendida no curso, gerando assim, uma dialógica entre teoria e prática para uma formação ressignificada.

Reflexão sobre minha segunda semana de estágio!

O estágio é um período de busca de aperfeiçoamento na gestão de uma sala de aula. Nós professores em formação ou não encontramos diariamente situações problematizadoras em sala de aula que nos fazem refletir e pesquisar novas formas de educar.

Então, nesse período é de fundamental importância o ato de planejar. Por isso buscamos no estágio planejar em conjunto, com nossos colegas estagiários, observando não só as problemáticas encontradas em nossas salas mas nas dos colegas, estendendo assim nossa área de pesquisa.

Nas categorias de GAUTHIER, obsevamos a importância das representações e expectativas do professor, onde ele deve considerar todas as informações possíveis sobre seus alunos, em relação a raça, idade, sexo, origem. Em relação a aplicação das medidas disciplinares e das sanções percebemos que as intervenções bem sucedidas, foram feitas em particular. A criança em geral se sente envergonhada e constrangida quando é chamada a atenção no grupo, sendo muito mais eficaz conversar em particular com ela e explicar o problema. E foi assim que trabalhamos em sala de aula.
Nossos alunos são calmos em relação ao que ouvimos das outras classes. Não tivemos muitos problemas disciplinais, mas quando alguma criança manifestava agressividade, buscamos acalma-las no momento e depois conversamos com elas para compreender o motivo de tal agressividade e explicar a importância da amizade e do bom convívio em sala de aula.

Reflexões sobre minha terceira semana de estágio!

A docência é regada de situações complexas e de momentos de indecisões. E o estágio não está longe disso. Neste período me senti testada em minha metodologia e tive momentos de questionamentos com relação a meus métodos e técnicas alfabetizadoras, porém acredito na importância destes momentos, pois me fez pensar, analisar minha prática e rever minha metodologia.

No texto “Os dilemas práticos dos professores”, percebe-se alguns desses dilemas quando afirma “são dilemas, por exemplo, como conciliar as exigências dos programas oficiais com as necessidades concretas dos alunos; ou como administrar o grupo sem deixar de atender a cada aluno individualmente”. P. 3.

Me percebi em situações parecidas e consegui formular métodos novos para mim, durante esta semana para resolver as dificuldades encontradas. Quando o texto fala sobre os programas oficiais e as necessidades dos alunos, me vi em sala de aula, numa turma de 1ª série com conteúdos oficiais que tiveram que readaptadas para se trabalhar com crianças que necessitavam ser alfabetizadas.

Zabella 2003, p. 6 conclui seu artigo afirmando que “ensinar’ é algo como mover-se profissionalmente em espaços problemáticos”, foi assim que em me senti. Porém, me senti motivada e impulsionada a buscar respostas aos meus dilemas evoluindo, desta forma, em minha metodologia